A presidente do grupo Foco e autora do blog Foco em Gerações (www.focoemgeracoes.com.br), Eline Kullock será um dos destaques do Semarc 2010, evento que será realizado pela FEBRABAN dias 18 e 19 de agosto, em São Paulo (www.semarc.com.br). Eline foi, também, um dos destaques do Ciab 2010. Confira, a seguir, uma entrevista com Eline Kullock sobre a geração Y.
FEBRABAN – Quais as características da geração Y?
Eline Kullock (EK) – A geração Y é uma criação relativamente recente. Antes da industrialização, as pessoas completavam 14 anos de idade e começavam a trabalhar, se tornavam adultas. Em algumas regiões do País isso ainda ocorre. Também é preciso deixar claro que as características das gerações são definidas predominantemente por formas de pensar, e não por datas de nascimento. Se, nos Estados Unidos, são consideradas geração Y as pessoas que têm hoje de 20 a 30 anos, isso não significa necessariamente que no Brasil as pessoas dessa idade sejam classificadas como geração y. Veja: nos Estados Unidos, a geração chamada de ‘Tradicional’ (pessoas nascidas até 1946) viveu o período da segunda guerra mundial. Numa situação como essa, respeitar modelos hierárquicos tem enorme importância. Por isso, os americanos desse grupo tendem a ter como característica o respeito à hierarquia. Já no Brasil, os chamados ‘Baby boomers’ (1946 a 1963) cresceram num período de ditadura e de altos índices de inflação. Por isso, seu comportamento é caracterizado por uma dificuldade de confronto de idéias, motivada pelo regime ditatorial e também por problemas no planejamento de gastos (na medida em que a inflação dificultava a organização das as finanças pessoais). Já a geração y brasileira cresceu num outro ambiente, o do Brasil BRIC, respeitado e estável. Como conseqüência, seu comportamento é caracterizado pela transgressão.
FEBRABAN – Pela primeira vez, as organizações reúnem quatro gerações diferentes. As empresas estão sabendo lidar com isso?
EK – A geração Y considera as demais ultrapassadas. E as outras gerações tendem a considerar os representantes da geração y arrogantes. Mas as empresas estão começando a perceber que, quanto mais for explicitado que há diferença entre os grupos, mais fácil será resolver os conflitos. Por outro lado, há uma situação em que, ao mesmo tempo em que as pessoas criticam a geração y, admiram sua forma contestadora de enxergar o mundo; isso pode ser constatado, por exemplo, pelo fato de as pessoas mais velhas se vestirem de maneira jovem nos finais de semana, usarem brincos e tatuagens e, ao mesmo tempo, de os casais mais novos vestirem seus bebês como adolescentes.
FEBRABAN - Qual o perfil da geração y como consumidora?
EK - Esse consumidor conhece as características e o poder das mídias sociais. Quando tem um problema com o banco de seu relacionamento, por exemplo, o representante de geração Y não tende a usar o site da instituição para reclamar, mas o ambiente onde encontrar repercussão por parte de seus pares, como, por exemplo, uma rede social como o Twitter. Daí a força de casos como o Cala a Boca Galvão, durante a Copa do Mundo. Por isso, é importante estar nas redes sociais, adotando uma postura firme e transparente. Não adianta ter postura de avestruz. Esses clientes querem ter voz, querem ouvir o que as empresas têm a dizer. Além disso, os produtos e serviços devem estar adaptados a um grupo que aprende rapidamente por sistema de tentativa e erro e que exige, sobretudo, velocidade de resposta. O conceito de rapidez da geração y é fundamentalmente diferente do das demais. Além disso, é preciso jogar limpo com esse consumidor. Acabou o período em que uma empresa diz que seu produto é bom. Quem tem de dizer isso é o consumidor.
FEBRABAN - Como falar com esse novo cliente?
EK – Falando especificamente dos bancos, será preciso encontrar um meio termo entre o modelo atual, de alto índice de informatização e o sistema presencial. A geração Y evidentemente tem facilidade com o uso da tecnologia e utiliza bastante os sites das instituições. Mas, ao mesmo tempo, quer um tratamento mais próximo, de um gerente de carne e osso, que resolva seus problemas. Na minha opinião, o modelo pode passar, por exemplo, pela participação dos gerentes em redes como o Orkut e o Twitter, seguindo e sendo seguidos por seus jovens clientes. Não dá para prever exatamente como seria esse modelo, mas poderia ser algo próximo disso, juntando rapidez e transparência.