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Roadmap da nova TI desafia os CIOs brasileiros

Roadmap da nova TI desafia os CIOs brasileiros

14/04/2014 - Executivos do setor devem traçar um roadmap para a arquitetura do futuro que vai suportar a transformação das empresas pelos próximos cinco ou dez anos

Não basta mais os CIOs serem alinhados ao negócio. Agora eles precisam fazer parte do business, ser mais assertivos com redução de custo, praticar inovação com mais frequência e ter mais agilidade nas entregas, afirma Ricardo Chisman, que lidera lidera a Accenture Digital. Atender todas essas expectativas exige uma nova TI, baseada na Terceira Plataforma e pronta para as megatendências: mobilidade, Big Data, Cloud Computing e mídias sociais. Como essa operação não é simples, executivos do setor devem traçar um roadmap para a arquitetura do futuro que vai suportar a transformação das empresas pelos próximos cinco ou dez anos.

Para ajudar os CIOs nessa empreitada, consultores e representantes da indústria dão algumas pistas de implementação da nova TI. Há desafios a serem vencidos, mas a boa notícia é que alguns projetos podem ser desenvolvidos com orçamentos das áreas de negócios, uma vez que as soluções estão sendo demandadas por elas, como é o caso das mídias sociais, ligadas mais o marketing.

A primeira etapa do processo de migração para o novo modelo é a definição do papel que os CIOs vão desempenhar para ser bem-sucedidos com a Terceira Plataforma, onda da computação com características bem diferentes da era mainframe e do PC. Na etapa atual, a tecnologia permeia os negócios e é uma forte aliada para trazer diferencial competitivo para empresas.

Liderança digital
No novo cenário, “o CIO tem que ser um líder de inspiração para estimular mudanças. Os que não se reinventarem serão substituídos, talvez por alguém da área de negócios”, comenta Fernando Lemos, vice-presidente da Oracle para a América Latina, reforçando a importância de os gestores se tornarem protagonistas da revolução digital que está acontecendo nas empresas.

“Ele corre o risco de perder espaço", completa Chisman. Ele relata que a agenda digital ganhou importância maior nas companhias do que a TI tradional. Isso em razão da necessidade de todas as indústrias terem que ser digitais para melhorar sua eficiência. O processo de digitalização é forte e os gestores de TI têm que se aproximar dos negócios para se integrar ao movimento. Ponto de vista semelhante é defendido por Álvaro Mello, vice-presidente de pesquisas do Gartner Brasil, que já esteve na pele de CIO em três companhias de segmentos diferentes da economia (Votorantim Cimentos, Schincariol e Grupo Estado).

“O CIO tem que estar à frente da liderança digital”, incentiva o consultor.

Segundo ele, há muitas oportunidades para que executivos de TI assumam a liderança de novos produtos na economia digital. Porém, os gestores precisam ser mais estratégicos, proativos e se libertarem da infraestrutura, que consome tempo com questõs técnicas. Algumas dessas atividades podem ser repassadas para terceiros ou equipe interna bem preparada.

Chisman lembra que, antes, os gestores de tecnologia pegavam a estratégia de negócios e associavam o plano da TI. Agora, com a empresa digital, o processo é inverso e os dois times têm de jogar juntos. Não dá mais para separar a agenda digital da de TI. Com a nova arquitetura de TI, o consultor da Accenture acredita que os CIOs terão mais capacidade para antecipar projetos, arriscar mais, realizar mais provas de conceitos e inovar com mais frequência. “Inovar, testar e prototipar deixará de ser tão proibitivo”.

Mello, do Gartner, cobra dos gestores de TI que criem uma infraestrutura ágil e com mais governança para preparar suas companhias para a economia digital, que começa a impactar todas as indústrias. “Agora os concorrentes podem vir de qualquer lugar. A economia digital afeta a todos inclusive os grandes”, diz.

Esse processo não é simples. Levantamento do Gartner constatou que muitos CIOs não estão preparados para responder as metas de digitalização em 2014, chamada pela consultoria de “Terceira Era da TI Corporativa”. A análise mostrou que grande parte desses profissionais está angustiada com perspectiva de construir uma liderança digital.

Diante deste cenário, quem vai ocupar o cargo de Chief Digital Officer (CDO)? Mello responde que há oportunidades para o CIO exercer a função porque ele tem conhecimento horizontal e sabe liderar processos. O conhecimento adquirido nas implementações de ERP conta ponto a favor. De acordo com o Gartner, atualmente 7% das companhias ao redor do mundo têm CDO e a previsão para 2015 é de que esse número triplique.

Parceria com negócios
Na avaliação de Alexandre Campos, analista de pesquisas da IDC Brasil, um dos maiores desafios que os CIOs enfrentam para implementar a nova TI é lidar com o novo e o mundo velho ao mesmo tempo. Eles precisam migrar para Terceira Plataforma e manter em perfeito funcionamento as aplicações do legado, trazendo rentabilidade para as companhias. Entretanto, diz ele, os executivos precisam achar tempo na agenda para endereçar questões da arquitetura do futuro. Esse processo vai exigir aproximação das áreas comercial, de marketing e logística, principalmente na hora de pensar em aplicações móveis.

“Geralmente é o marketing que puxa experiência dos clientes”, ressalta Campos, destacando a importância de alianças com outros pares para desenvolvimento de soluções com mais propriedade e rapidez para as operações. O consultor considera que a Terceira Plataforma abre muito campo para a inovação e acelera entregas, o que pode ser um diferencial competitivo para as organizações.

“A maior dor do CIO hoje é entregar projetos dentro do prazo. As áreas de negócios têm pressa para lançar produtos antes da concorrência”, ressalta Campos. Há uma percepção de que a TI é lenta nas respostas. Isso ocorre, segundo ele, por causa da complexidade do ambiente atual. Ele enfatiza que departamentos de tecnologia só conseguirão preparar as companhias para lidar com as novas transformações se forem mais ágeis.

Os CIOs devem descobrir como seus pares de negócios enxergam as megatendências e criar uma agenda digital, sugere Edgar D'Andrea, sócio da PriceWaterhouseCoopers (PwC). Esse exercício permite avaliar como a companhia pode se beneficiar da convergência tecnológica, com um olhar macro.

Mudanças climáticas e a própria conjuntura econômica nacional e internacional, segundo D'Andrea, podem ser oportunidades para buscar novidades tecnológicas que aumentem a rentabilidade, como é o caso da Internet das Coisas. “Observe se sua companhia tem novas formas de fazer negócios ou se relacionar com o consumidor”, propõe o consultor da PwC. O CIO pode ajudar a reduzir a área física do prédio, incentivando o RH a adotar home office. Não é o CIO que toma esse tipo de decisão, mas ele pode levar a ideia para o comitê de negócios, que vai avaliar os riscos das mudanças.

Agenda da nova TI
Antes de sair comprando tecnologias, a recomendação dos especialistas é que o CIO faça um plano estratégico de mudança de seu legado para a nova arquitetura. O conselho de Fernando Lemos, vice-presidente de Tecnologia da Oracle para a América Latina, é que os gestores revisem inventário e façam um mapa de abordagem das megatendências.

Realizada esta etapa, é hora de fazer um estudo sobre o que pode ser levado para a Terceira Plataforma. É importante simplificar a infraestrutura existente com transferência de aplicações para nuvem, que é uma forma de reduzir custos e gerar capacidade para investimentos. Ao realizar esse trabalho, os CIOs promovem a consolidação do ambiente atual e reduzem o número de provedores.

“Agora o CIO tem o papel de propor mudanças e não apenas suportar iniciativas de negócios. Ele também desenvolve projetos”, constata Lemos. O executivo exemplifica projetos inovadores para Internet das Coisas e dispositivos vestíveis que podem ser integrados a processos existentes. “Podem nascer novos nego´cios nas empresas, mas eles só se concretizam com ajuda da TI”. Essa mudança altera o perfil do CIO, que deve ser um intraempreendedor e trabalhar como incubador de ideias.

Fernando Simões, diretor executivo da consultoria Atos para a América Latina, aconselha os CIOs a revisarem o plano estratégico e antigas restrições para implementação da Terceira Plataforma. Opinião similar tem Marcos Pichatelli, gerente de produtos de alta performance do SAS Brasil, que acha que o CIO não pode mais criar estratégias rígidas. “O novo CIO tem que ser mais político”, ensina.

Esse processo de mudanças traz inseguranças. Henrique Sei, diretor de vendas de soluções da Dell Brasil, nota clima de ansiedade entre os CIOs que acham que vão perder tudo o que construíram até agora. “Eles preservam o que já investiram e integram com a plataforma nova”, tranquiliza o executivo. Esse não é o pior cenário, o desafio maior será lidar com ambiente multiplataforma com segurança. Consolidar e padronizar sistemas para reduzir a complexidade são as dicas que ele dá para operação do legado com as tecnologias convergentes.

Projetos pilotos
Ir para Terceira Plataforma não é uma opção, mas uma necessidade, argumenta Mauro D'Angelo, diretor de indústrias da IBM. Para ele, são grandes os riscos de gerenciar um legado sem componentes para os novos vetores digitais. “Os CIOs que têm ambiente antigo podem perder a onda de cloud, Big Data, mobilidade e social media”. Sua recomendação é que os gestores se conscientizem de que se não fizerem nada, serão imobilizados pelo legado, que é custoso para ser mantido.

Como não dá para fazer tudo de uma vez, as iniciativas podem começar com pequenos projetos, elaborados por megatendência, aponta Welson Barbosa, diretor de Negócios em Cloud da EMC para América Latina. Pegar apps antigos e migrar para o novo ambiente não trara´ os mesmos resultados, segundo ele, já que as soluções móveis precisam ser simples e fáceis de serem acessadas pelos usuários.

“As megatendências têm que estar conectadas com o negócio porque estão próximas do consumidor”, comenta Marco Bravo, diretor da Microsoft Brasil para o mercado corporativo. Ele observa que alguns CIOs estão saindo debaixo do Chief Finance Officer (CFO) para se reportar ao vice-presidente, se posicionando na linha de frente do business. Essa escalada aumenta o desafio dos gestores para lidar com temas ligados a clientes e com a consumerização.

Adoção de novos conceitos para desenvolvimento das aplicações com inovação pode ajudar os CIOs nessa jornada. Um exemplo é o Work Redesigned, indicado por Marcelo Serigo, CTO da Avanade Brasil, para redesenho das aplicações com inteligência e melhor experiência para usuário. Já Maurice Mello, gerente de varejo do Google, dá como dica a prática da abordagem centrada nos clientes, apoiada nos pilares da Terceira Plataforma, Big Data, mobilidade, rede social e cloud, para visão única dos consumidores, independente do canal que eles acessam para compras.

 

Fonte: CIO

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